ÓLEOS ESSENCIAIS COM POTENCIAL ANTIVIRAL EM DOENÇAS DE PELE

As infecções virais são uma ameaça mundial, em primeiro lugar devido à falta de tratamentos efetivos disponíveis e em segundo lugar devido à resistência5. Os óleos essenciais são uma fonte potencial para novos medicamentos nesse quesito2. Certos óleos essenciais já exibiram atividade antiviral anteriormente2,6, com os melhores inibidores atuando especificamente nas etapas envolvidas na biossíntese viral. Estes funcionam inibindo a replicação, limitando assim a produção de progênies virais2. É vantajoso que o ciclo de replicação viral consista em uma sequência complexa de diferentes etapas, porque isso aumenta as chances de interferência dos agentes antivirais2.

Menos da metade dos óleos essenciais recomendados para infecções de pele tiveram sua atividade antiviral estudada. O vírus mais estudado é o vírus do herpes simples (HSV) e o óleo essencial mais estudado é o de M. alternifólia (Tea Tree). Os óleos com pesquisas já realizadas podem ser vistos nesta tabela: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5435909/table/tab11/

Os estudos antivirais englobam um extenso processo no qual a citotoxicidade e a atividade antiviral precisam ser determinadas. A atividade antiviral geralmente é testada através de ensaios de redução de placa em células Vero (células verdes do rim de macaco africano) infectadas com o vírus. Este ensaio determina a concentração efetiva que inibe 50% do crescimento do vírus (IC50). O indicador seletivo ou índice de seletividade é calculado com a equação de CC50/IC50. Um óleo essencial com um valor SI superior a quatro é considerado apropriado como agente antiviral4,5. Além dos critérios que estão sendo feitos para o SI, nenhum critério para o IC50 foi feito. De acordo com os resultados analisados, um valor do IC50 inferior a 0.0010% ou 1,00 μg / mL deve ser considerado como notável.

Os óleos essenciais recomendados na literatura da aromaterapia, com evidências corroborantes in vitro, incluem Citrus limon (limão), Lavandula latifolia (lavanda), M. piperita (hortelã-pimenta), Santolina insularis (santolina), M. alternifólia (Tea tree), E. globulus (Eucalipto Globulus) e S. officinalis (sálvia). Destes óleos, os três últimos não são idealmente adequados para uso antiviral contra o HSV-1, devido, em primeiro lugar, aos seus valores mais fracos do que o recomendado de IC50 (menos de 0.0010% ou 1.00 μg/mL) e também ao seu baixo índice de seletividade (abaixo de 4) 3,4,6,7,8. Os óleos essenciais que ainda serão estudados, de acordo com a literatura, incluem C. zeylanicum (canela), C. bergamia (bergamota), Pelargonium odoratissimum (gerânio) e Tagetes minuta (calêndula mexicana).

Em um pequeno estudo piloto constituído por 18 pacientes submetidos a um tratamento de herpes labial recorrente, um gel com óleo de M. alternifolia a 6% aplicado cinco vezes ao dia foi comparado a um gel placebo9. A reepitelização ocorreu após nove dias no grupo de teste em comparação ao grupo placebo, onde a reepitelização ocorreu somente após 12,5 dias. Millar e Moore10 realizaram um estudo de caso de um paciente com seis verrugas recorrentes (papiloma vírus humano) após inúmeros tratamentos com 12% p/p de ácido salicílico e ácido láctico (4% p/p) por várias semanas. O tratamento alternativo consistia em 100% de óleo tópico de M. alternifolia aplicado todas as noites imediatamente após o banho e antes de dormir. Após cinco dias, observou-se uma redução significativa no tamanho da verruga e, após sete dias adicionais, todas as verrugas foram eliminadas, com reepitelização completa das áreas infectadas e sem recorrência. O principal déficit dos dois estudos é o tamanho pequeno da amostra. Também deve-se recomendar que qualquer ensaio envolvendo agentes patogênicos virais inclua um acompanhamento durante um, dois e seis meses após a interrupção do tratamento, e isso deve-se à tendência desses agentes a permanecer adormecidos por um período prolongado. Pode-se, então, observar o quão eficaz o óleo essencial pode ser em efeitos a longo prazo.

Os vírus não desenvolvidos (como, por exemplo, o vírus HPV) até agora têm demonstrado ser mais resistentes aos óleos essenciais2 em comparação com os vírus envolvidos (HSV) que são mais suscetíveis aos óleos essenciais que poderiam dissolver a membrana lipídica1. Estudos com óleos essenciais contra vírus estão claramente em falta. O vírus mais estudado é o HSV, que é um dos mais prevalentes11, e o óleo essencial mais estudado é o de M. alternifolia. Embora numerosos estudos tenham demonstrado a eficácia do óleo de tea tree, o problema consiste no fato de que estes estudos foram feitos comparando o óleo com um placebo, que tente a exibir atividade pobre.

Embora estes estudos demonstrem alguma atividade antiviral, outros patógenos (por exemplo, varicela zoster, herpes zoster, papiloma vírus humano e Molluscum contagiosum) associados a infecções da pele foram claramente negligenciados e justificam a necessidade de estudos adicionais.

Extraído de: Orchard A, van Vuuren S. Commercial Essential Oils as Potential Antimicrobials to Treat Skin Diseases. Evid Based Complement Alternat Med. 2017;2017:4517971.
Tradução: Cecília Barbosa – Editora Laszlo

Os óleos essenciais deste artigo você encontra na Pria:

ESTE TIPO DE CONHECIMENTO SOBRE ÓLEOS ESSENCIAIS É UM PEQUENO EXEMPLO DO QUE VOCÊ APRENDE EM AULAS DE AROMATOLOGIA CONOSCO, SAIBA DATAS DE CURSOS NO SITE DA PRIA https://pria.com.br/cursos/

Clique aqui, e tenha acesso as cromatografias da LASZLO
http://goo.gl/Tz1x4b

pria
Sua beleza natural

REFERÊNCIAS
1. Bannister B. A., Begg N. T., Gillepsie S. H. Infectious Disease. New York, NY, USA: Blackwell Science; 2000.
2. Reichling J., Schnitzler P., Suschke U., Saller R. Essential oils of aromatic plants with antibacterial, antifungal, antiviral, and cytotoxic properties-an overview. Research in Complementary Medicine. 2009;16(2):79–90. doi: 10.1159/000207196. [PubMed] [Cross Ref]
3. Minami M., Kita M., Nakaya T., Yamamoto T., Kuriyama H., Imanishi J. The inhibitory effect of essential oils on herpes simplex virus type-1 replication in vitro. Microbiology and Immunology. 2003;47(9):681–684. doi: 10.1111/j.1348-0421.2003.tb03431.x. [PubMed] [Cross Ref]
4. Loizzo M. R., Saab A. M., Tundis R., et al. Phytochemical analysis and in vitro antiviral activities of the essential oils of seven Lebanon species. Chemistry & Biodiversity. 2008;5(3):461–470. doi: 10.1002/cbdv.200890045. [PubMed] [Cross Ref]
5. Gavanji S., Sayedipour S. S., Larki B., Bakhtari A. Antiviral activity of some plant oils against herpes simplex virus type 1 in Vero cell culture. Journal of Acute Medicine. 2015;5(3):62–68. doi: 10.1016/j.jacme.2015.07.001. [Cross Ref]
6. Schnitzler P., Schön K., Reichling J. Antiviral activity of Australian tea tree oil and eucalyptus oil against herpes simplex virus in cell culture. Die Pharmazie. 2001;56(4):343–347. [PubMed]
7. Garozzo A., Timpanaro R., Bisignano B., Furneri P. M., Bisignano G., Castro A. In vitro antiviral activity of Melaleuca alternifolia essential oil. Letters in Applied Microbiology. 2009;49(6):806–808. doi: 10.1111/j.1472-765x.2009.02740.x. [PubMed] [Cross Ref]
8. Civitelli L., Panella S., Marcocci M. E., et al. In vitro inhibition of herpes simplex virus type 1 replication by Mentha suaveolens essential oil and its main component piperitenone oxide. Phytomedicine. 2014;21(6):857–865. doi: 10.1016/j.phymed.2014.01.013. [PubMed] [Cross Ref]
9. Carson C. F., Ashton L., Dry L., Smith D. W., Riley T. V. Melaleuca alternifolia (tea tree) oil gel (6%) for the treatment of recurrent herpes labialis. Journal of Antimicrobial Chemotherapy. 2001;48(3):450–451. doi: 10.1093/jac/48.3.450. [PubMed] [Cross Ref]
10. Millar B. C., Moore J. E. Successful topical treatment of hand warts in a paediatric patient with tea tree oil (Melaleuca alternifolia) Complementary Therapies in Clinical Practice. 2008;14(4):225–227. doi: 10.1016/j.ctcp.2008.05.003. [PubMed] [Cross Ref]
11. Edris A. E. Pharmaceutical and therapeutic potentials of essential oils and their individual volatile constituents: a review. Phytotherapy Research. 2007;21(4):308–323. doi: 10.1002/ptr.2072. [PubMed] [Cross Ref]

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *