USO MEDICINAL DO ÓLEO DE COPAÍBA

 

USO MEDICINAL DO ÓLEO DE COPAÍBA (Copaifera sp.) por pessoas da melhor idade no município de Presidente Médici, Rondônia, Brasil

O Brasil é o maior produtor do óleo extraído da Copaifera sp. (Caesalpiniaceae), uma das plantas medicinais mais estudadas do mundo, encontrada principalmente na região amazônica. Uma abordagem etnobotânica sobre plantas medicinais pode facilitar a seleção de espécies potencialmente ativas e utilizadas pela população de determinada região, abrindo portas para o desenvolvimento de novos medicamentos, aos quais poderão ter acesso um maior número de pessoas. Desta forma, neste trabalho foi caracterizado o uso medicinal do óleo de copaíba junto à população da melhor idade do município de Presidente Médici, Estado de Rondônia, na Amazônia brasileira, já que faltam dados quanto ao emprego dessa planta com tal finalidade nessa região. As informações etnobotânicas foram obtidas através de entrevistas semiestruturadas aplicadas a 27 pessoas, utilizando a técnica “bola de neve” para incluir participantes. As indicações etnofarmacológicas levantadas quanto ao óleo foram: tratamento de infeções (63%); cicatrizante (48%); antitetânico (18.5%) e antitumoral (11%). O chá da casca do caule foi recomendado por 11% dos entrevistados para lavagem de ferimentos e como depurativo sanguíneo. Portanto, esta planta é muito usada entre pessoas da melhor idade daquele município por seu caráter medicinal, chamando a atenção para a necessidade de estudos que confirmem cientificamente sua eficácia terapêutica.

Resultados e discussão

Dos 23.017 (vinte e três mil e dezessete) habitantes, 108 de melhor idade estão cadastrados no município. Destes, foram entrevistados 25%, na faixa etária entre 60 e 90 anos. Todos são provenientes de outros Estados e regiões brasileiras, e 94% vivem no município há mais de vinte anos. A maioria dos informantes é natural de Minas Gerais (região Sudeste) e Paraná (região Sul), 29% cada um, um total de 58%. Os 42% restantes estão distribuídos entre os Estados da Bahia (região Nordeste), São Paulo, Espírito Santo (região Sudeste) e Goiás (região Centro Oeste).

Estes dados mostram que o óleo também é utilizado em outras regiões do país; além disso, evidenciam que o conhecimento tradicional é transmitido de forma prática, através do uso.

A transmissão do conhecimento entre gerações sobre a utilidade dessa planta foi comprovada por 94% dos entrevistados, que disseram ter aprendido “com pessoas mais velhas”, da própria família ou não. Os demais ouviram a respeito por parte de vendedores do óleo de copaíba, uma vez que é um dos produtos mais comuns entre os oferecidos em estabelecimentos do gênero.

Dentre os entrevistados, 35% não conhecem a planta propriamente dita, mas têm ciência de seu potencial medicinal, de modo que todos fazem ou fizeram uso do óleo da copaíba. O chá preparado com a casca (Figura 1e) da planta foi citado por 11% dos idosos. Veiga Jr. e Pinto (2002), em ampla revisão, registraram o consumo desse chá em populações da Amazônia brasileira, venezuelana e colombiana como anti-hemorroidal, purgativo, e para o tratamento de moléstias pulmonares e asma. No presente estudo, constatou-se seu emprego para lavar ferimentos (resposta dada por 6% dos informantes).

O uso do óleo para tratamento de infecções (garganta, ouvido, urinária e dentária) foi feito por 47% dos entrevistados. Tal uso tem fundamento, pois a ação antimicrobiana desse produto já foi evidenciada por autores como Masson (2011), que comprovaram esse efeito contra bactérias gram-positivas. Já Pieri et al. (2012) obtiveram resultado também contra três bactérias gram-negativas. Esses autores reportam que as diferenças na composição do óleo certamente interferem na sua eficácia, explicando as variações nos resultados.

Um percentual de 41% dos idosos refere-se ao óleo como cicatrizante, indicando aplicação direta no local afetado, inclusive na região umbilical de recém-nascidos. Resultados promissores neste aspecto foram observados por Masson (2011) em úlceras cutâneas em ratos e coelhos.

Foi mencionado ainda o consumo tendo em vista tratamento contra câncer (11.7%) e tétano (17.6%). Montes et al. (2012) mencionaram que há comprovação da ação antitetânica desse óleo. Yamaguchi e Garcia (2012) revisaram sobre as propriedades medicinais da copaíba e, com base nos estudos mencionados, a atividade antitumoral também está elencada entre os benefícios por ela proporcionados, com diferentes relatos de ação inibitória no crescimento de tumores. Porém, mais uma vez, os mecanismos de ação carecem ser esclarecidos.

Em relação à posologia, os entrevistados disseram ingerir de uma a três gotas na forma pura (76%) ou misturada a outro alimento como leite, café, chá ou pão (24%). Nas respostas foi comum usarem expressões como “bem pouquinho”, “bem pouco”, “muito pode fazer mal”. A preocupação dos entrevistados quanto ao uso em baixas doses é sustentada por estudos revisados por Yamaguchi e Garcia (2012), que descrevem irritações gastrointestinais, vômitos, náuseas, sialorréia, diarréia e depressão do sistema nervoso central diante de doses elevadas.

Para aquisição do produto, 47% dos entrevistados informaram que compram o óleo de copaíba, 29% que o extraem diretamente da planta e 24% declararam que o recebem como doação. Um dos informantes afirmou que durante a extração do óleo “não se pode conversar, a pessoa tem que estar sozinha”. A desconfiança quanto à legitimidade do óleo comprado de terceiros foi manifesta por alguns, pois “não foi tão bom”, acreditando eles que havia “mistura”. Veiga Jr et al. (2005) informam em sua revisão que a adições de outros óleos de valor inferior são comuns na região Amazônica e podem ser detectadas através de métodos específicos além, é claro, da interferência da variação natural dos princípios ativos.

Referência
Acta Agron. vol.63 no.4 Palmira Oct./Dec. 2014
http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0120-28122014000400008&lang=pt

 

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