Ingestão de óleo essencial de Lavanda como medicamento

óleo essencial de lavanda

Assim como o desenvolvimento da homeopatia e sua medicação por Hahnemann em 1779, novamente a Alemanha é pioneira por lançar oficialmente no mercado um medicamento exclusivamente a base de óleo essencial (OE) de lavanda (Lavandula angustifolia).

Em 2010, um laboratório da Alemanha registrou e lançou no mercado o medicamento Silexan®, cuja composição de cada cápsula varia de 80 mg ou 160 mg de OE de lavanda (L. angustifolia), contendo como principais constituintes o linalol e o acetato de linalila (Silexan®, register 2009). Os resultados das investigações evidenciaram a ação ansiolítica deste medicamento, ao ser ingerida 1 (uma) cápsula diariamente por período de 14 dias consecutivos (Kasper, 2013; 2015), demonstrando que OE de lavanda é tão eficaz quanto o benzodiazepínico lorazepam, em adultos com desordem de ansiedade generalizada (Woelk e Schläfke, 2010; Kasper, 2013; 2015). Deste modo eles indicam seu uso clínico por via oral para tratar ansiedade. Podemos calcular em gotas, a quantidade de óleo essencial de cada cápsula, ser em torno de uma gota (para a cápsula de 80 mg) e de 3 gotas (para a cápsula de 160 mg); o que coincide com a medida padrão que utiliza-se dentro da aromatologia francesa via oral há mais de 50 anos para tratamento de insônia e ansiedade, conforme vemos em livros como Aromathérapie, Traitement des maladies par les essences des plantes do Dr. Jean Valnet, publicado em 1964

A ação ansiolítica do OE de lavanda não se caracteriza como a ação de um benzodia-epínico, o que pode explicar a ausência de tolerância, dependência e síndrome de abstinência (Silenieks et al., 2013). Uehleke (2012), em seus resultados, constatou a ação do OE de lavanda também em situações de estresse pós-traumático, vindo ao encontro das investigações de Toda e Moritomo (2008), relativas à redução do estresse em voluntários humanos quando submetidos à inalação do óleo essencial de lavanda (Lavandula angustifolia), e de Aprotosoaie (2014) e de Effati-Daryani (2015). Uma das hipóteses do mecanis-mo da ação ansiolítica do OE de Lavandula angustifolia sustenta que este OE, através de seus componentes, é uma potente droga ansiolítica, semelhante ao fármaco pregabalina, que reduz o influxo de cálcio nos terminais pré-sinápticos em neurônios hiperexcitados pré-sinápticos do hipocampo, reduzindo dessa forma a liberação de neurotransmissores excitatórios, como o glutamato (Simonnet, 2008; Carrasco et al., 2013; Castro et al., 2013; Schuwald et al., 2013; Vadivelu et al., 2014). Bagetta (2010) e Navarra (2015) estudaram neuro-farmacologicamente a ação, nos sintomas de ansiedade induzida por estresse, transtornos leves de humor e dor do câncer, de outro óleo essencial cuja composição inclui percentuais elevados dos componentes linalol e acetato de linalila. Eles constataram a capacidade do óleo essencial em interferir no hipocampo dos mamíferos, na plasticidade sináptica normal e patológica. A neuroproteção foi observada no decurso de uma isquemia cerebral e dor. Estes autores associam esses efeitos aos componentes do OE, entre eles o linalol e o acetato de linalila.

Desse modo, a ingestão pura do óleo essencial de lavanda Lavandula angustifolia na quantidade de 80 a 160 mg por dia está regulamentada na Alemanha para o tratamento da ansiedade, com uma resposta terapêutica superior a medicação alopática, sem os transtornos dos efeitos colaterais.

Autora:
Adriana Nunes Wolffenbüttel
Doutora em Ciências Farmacêuticas. Autora do livro “Base da Química da Aromaterapia e dos Óleos Essenciais” – link para compra da 2a edição do livro: http://goo.gl/JxDlFI

Artigo publicado em: http://laszlo.ind.br/campanhas/JORNAL_LASZLO_7_JANEIRO_2016_web.pdf

Referências:
1. APROTOSOAIE, A. C., et al. Linalool: a review on a key odorant molecule with valuable biological properties. Flavour and Fragrance Journal, 29(4), 193-219, 2014. / 2. BAGETTA, G.; et al. Review, Neuropharmacology of the essential oil of bergamot. Fitoterapia, v. 81, p. 453–461, 2010. / 3. CARRASCO, J.L.; et al. Análisis comparativo de costes del inicio de terapia con pregabalina o ISRS/ISRN en pacientes resistentes a las benzodiazepinas con trastorno de ansiedad generalizada en España. Actas Españolas de Psiquiatría, v. 41, p. 164-74, 2013. / 4. CASTRO, R.J.A.; et al. Tratamento da dor em queimados. Revista Brasileira de Anestesiologia, v. 63, p. 149-158, 2013. / 5. EFFATI-DARYANI, F., et al. Effect of Lavender Cream with or without Foot-bath on Anxiety, Stress and Depression in Pregnancy: a Randomized Placebo-Controlled Trial. Journal of Caring Sciences, 4(1), 63–73, 2015. / 6. KASPER, S. An orally administered lavandula oil preparation (Silexan) for anxiety disorder and related conditions: an evidence based review. International Journal of Psychiatry in Clinical Practice, v. 17, p. 15-22, 2013. / 7. KASPER, et al. Efficacy of orally administered Silexan in patients with an-xiety-related restlessness and disturbed sleep–a randomized, placebo-controlled trial. European Neuropsychopharmacology, august, 2015. / 8. NAVARRA, M., et al. Citrus bergamia essential oil: from basic research to clinical application. Frontiers in pharmacology, 6, 2015. / 9. SCHUWALD, A.M.; et al. Lavender Oil-Potent Anxiolytic Proper-ties via Modulating Voltage Dependent Calcium Channels. PLoS ONE, v. 8, p. e59998, 2013. / 10. SILENIEKS, L.B.; et al. Silexan, an essential oil from flowers of Lavandula angustifolia, is not recognized as benzodiazepine-like in rats trained to discriminate a diazepam cue. Phytomedicine, v.20, p.172-177, 2013. / 11. SILEXAN®, register 2009: International Standard Randomised Controlled Trial Number ISRCTN74386009. Disponível em: <http://www.controlled-trials.com/ISRCTN74386009>. Acessado em 11/10/2015. / 12. SIMONNET, G. Pre-emptive antihyperalgesia to improve pre-emptive analgesia. Anesthesiology, v. 108, p. 352-354, 2008. / 13. TODA, M.; MORIMOTO, K. Effect of lavender aroma on salivary endocrinological stress markers. Archives of Oral Biology, v. 53, p. 964-968, 2008. / 14. UEHLEKE, B.; et al. Phase II trial on the effects of Silexan in patients with neurasthenia, post-traumatic stress disorder or somatization disorder. Phytomedicine, v. 19, p. 665-671, 2012. / 15. VADIVELU, N.,et al. Preventive analgesia for postoperative pain control: a broader concept. Local and Regional Anesthesia, 7, 17–22, 2014. / 16. WOELK, H.; SCHLÄFKE, S. A multi-center, double-blind, randomised study of the lavender oil preparation silexan in comparison to lorazepam for generalized anxiety disorder. Phytomedicine, v. 17, p. 94–99, 2010.

assinatura pria

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *