ÓLEOS ESSENCIAIS DE PLANTAS DA CAATINGA TÊM PROPRIEDADES ANTIOXIDANTES E ESPERMOSTÁTICAS (POTENCIAL DE USO COMO ANTICONTRACEPTIVO)

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Por Renata Reynaldo / FOTO: CABREUVA

Embora tenha um aspecto cinzento, seco e estéril, a caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro, vem sendo objeto de pesquisas cujos resultados mostram que a vegetação local tem enorme variedade de biomoléculas com potencial farmacológico. Provas recentes dessa constatação estão descritas no trabalho “Avaliação do efeito protetor de óleos essenciais de Eugenia brejoense, Myroxylon peruiferum (CABREUVA) e Croton numularius contra a morte celular induzida pelo estresse oxidativo”, de Clovis Macêdo Bezerra Filho. A dissertação foi defendida em fevereiro de 2014, no Programa de Pós-Graduação Bioquímica e Fisiologia da UFPE e contou com orientação e coorientação das professoras Maria Tereza dos Santos Correia e Márcia Vanusa da Silva, respectivamente.

Orientado pelo conhecimento popular corrente no Vale do Catimbau, região da caatinga pernambucana, onde se deu a coleta dos extratos, o farmacêutico realizou testes com óleos essenciais da Eugenia brejoensis, mais conhecida como Cutia, e Myroxylon peruiferum, chamado popularmente de bálsamo, e comprovou os efeitos anticonceptivos e de combate à oxidação celular nesses vegetais. Os óleos essenciais foram extraídos por hidrodestilação a vapor, daí também serem conhecidos por óleos voláteis. No caso da planta Croton numularius, que previamente constava no enunciado da pesquisa, não foi possível a obtenção de volume suficiente de óleo para os testes e o autor substituiu a espécie pelo bálsamo como material de estudo.

Como as folhas da Eugenia brejoensise da Myroxylon peruiferum se mantêm verdes durante todo o ano, mesmo submetidas à insolação típica das regiões de caatinga, o pesquisador buscou verificar se há propriedades de proteção que atuam para garantir essa resistência. E confirmou. Aliado a essa tese, o trabalho cita o grande interesse da indústria farmacêutica por produtos naturais, como ponto de estímulo para a pesquisa. “Imagina se a partir dessas substâncias for possível fabricar medicamentos em grande escala e podermos, assim, viabilizar um retorno econômico para a caatinga?”, especula Clovis Macêdo.

SUSTENTABILIDADE – Segundo registros da pesquisa, “devido ao papel ecológico importante na proteção das plantas e, sobretudo, à propriedade antimicrobiana, o uso dos óleos essenciais na indústria farmacêutica, cosmética e alimentícia está se difundindo cada vez mais como alternativa aos produtos sintéticos”. Entretanto, destaca o farmacêutico, “é muito importante se observar a sustentabilidade para obtenção desses extratos naturais, sob o risco de a produção em escala industrial se tornar danosa ao equilíbrio ambiental”. Segundo o pesquisador, no caso dessas e de muitas outras espécies, não adiantaria levar as sementes para cultivar em outro ambiente, “pois o clima é fator determinante para suas propriedades”.

Para testar a ação espermostática dessas espécies vegetais, o trabalho se valeu de amostras de sêmen coletadas de 12 indivíduos voluntários férteis, com idades entre 18 e 45 anos, após um período de abstinência sexual de 48 a 120h. Submetidos ao contato com os óleos da Eugenia brejoensis e da Myroxylonperuiferum, os espermartozoides, em função de um período de tempo, apresentaram-se em situação estática.

A eficácia dos óleos de Eugenia brejoensis e Myroxylon peruiferum sobre a motilidade dos espermatozoides humanos foi avaliada in vitro e os resultados demonstram que a ação imobilizante é dose-dependente, ou seja, mesmo que em pequena quantidade, à medida que se aumenta a concentração de óleo em contato com os espermatozoides, maior será a resposta esperada. Segundo adiantou o farmacêutico, “futuras pesquisas que incluem a confirmação do efeito sobre a viabilidade dos espermatozoides e o mecanismo de ação das plantas nessas células estão em andamento”.

Para o farmacêutico, os componentes antioxidantes desses vegetais podem ter aplicações que vão muito além da indústria cosmética. “Nosso foco é a saúde integral, pois vislumbramos o uso desses óleos, por exemplo, no tratamento de câncer e de diabetes, doenças degenerativas que têm relação com o estresse oxidativo” afirma Clovis. Já para o efeito espermostático, o pesquisador vislumbra o uso do produto como associado a outros métodos contraceptivos. “Imagina uma camisinha, que ainda é o melhor método de barreira, com um gel à base de óleos essenciais de cutia e do bálsamo?”, provoca. Para ambos os extratos foram constatados o efeito antioxidativo e espermostático, embora a Eugenia brejoensis tenha apresentado melhor resposta à segunda hipótese.

Com o apoio da Facepe, o pesquisador desenvolveu o trabalho como membro de uma rede de prospecção que atua na caatinga, sob a coordenação das professoras da UFPE Márcia Vanusa, chefe do Departamento de Bioquímica, e Maria Tereza Correia, vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas. Também fazem parte da equipe pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal do Ceará (UFCE), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, onde o farmacêutico se encontra, pesquisando novas propriedades de duas outras espécies da caatinga para seu trabalho de doutorado.

https://www.ufpe.br/agencia/index.php?option=com_content&amp%3Bview=article&amp%3Bid=51045%3Aoleos-essenciais-de-plantas-da-caatinga-tem-propriedades-antioxidantes-e-espermostaticas&amp%3Bcatid=453%3Abioquimica&amp%3BItemid=72#.VGJDIFwUKe4.facebook

 

 

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