O CRESCIMENTO DE NOVOS NEURÔNIOS EM PESSOAS QUE TIVERAM PERDAS NEURAIS, COMEÇA PELO BULBO OLFATÓRIO 

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& abaixo no texto veja também: TOQUE ESTIMULA NEUROGÊNESE!

O nascimento de novos neurônios acaba de ser registrado em mais uma região do cérebro humano adulto. Uma equipe de cientistas da Suécia e da Nova Zelândia mostrou que essas células são formadas no bulbo olfatório, envolvido na percepção de odores. Ainda que esse já fosse um resultado esperado, a descoberta reforça a idéia de que a neurogênese em humanos não se limita à infância, ao contrário do que se acreditou por muito tempo.

Em estudo publicado esta semana na revista Science , a equipe de Peter Eriksson, da Universidade de Gotemburgo (Suécia), demonstra a existência, no cérebro humano, de uma corrente migratória que leva células nascidas na região subventricular do cérebro ao bulbo olfatório, onde algumas delas se transformam em neurônios maduros.

Essa corrente já havia sido identificada no cérebro de roedores, mas assume uma configuração espacial diferente no cérebro humano, em função do grande tamanho do córtex. Para identificá-la, o grupo recorreu a diversas técnicas, como o imageamento por ressonância magnética, a microscopia eletrônica e o uso de marcadores químicos.

“O sistema olfatório evoluiu como um mecanismo importante para a sobrevivência ao detectar sinais de perigo como fumaça ou alimentos contaminados”, explicam os autores no artigo. “A adição de novos neurônios no bulbo olfatório humano na idade adulta pode contribuir para a plasticidade nesse sistema.”

A descoberta não chega a surpreender, no entanto. “Esse resultado já era esperado, porque essa corrente migratória de novos neurônios tem sido demonstrada em várias espécies de animais”, afirma o neurocientista Roberto Lent, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e colunista da CH On-line . “A novidade foi tê-lo feito em humanos.”

A descoberta ajuda a enterrar o dogma de que, no cérebro humano, os neurônios seriam formados apenas durante a infância. Essa idéia vem sendo derrubada nos últimos anos: após a descoberta de que novos neurônios são criados no cérebro adulto de algumas espécies de aves e primatas, o fenômeno foi finalmente identificado no cérebro humano em 1998. Nesse ano, uma equipe – que contava com a participação de Peter Eriksson – identificou o nascimento de novos neurônios no giro dentado do hipocampo, região cerebral envolvida no armazenamento da memória.

No entanto, a formação de novos neurônios nunca foi identificada no córtex adulto – região responsável por algumas das funções mais “nobres” do cérebro humano, como o discurso e o pensamento articulado. Ao contrário, um trabalho publicado no ano passado, por uma equipe que incluía Eriksson e outros autores do estudo publicado esta semana na Science , mostrou que novos neurônios não são formados no córtex adulto.

Essa descoberta não representa necessariamente uma desvantagem, na avaliação de Roberto Lent. “É vantajoso possuir um plantel fixo de neurônios, sobre os quais construímos nossa biografia”, concluiu ele na coluna em que discutiu a neurogênese no córtex adulto. “Afinal, parte importante do monumental arquivo de informações alojadas em nossa memória tem que ser definitiva, para que não nos esqueçamos nunca do vocabulário que aprendemos na infância, das pessoas que passaram pela nossa vida e da nossa própria história.”

Bernardo Esteves – Ciência Hoje On-line
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/neurociencia/bulbo-olfatorio-tem-novos-neuronios/

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TOQUE ESTIMULA NEUROGÊNESE: o cérebro responde e produz novas células nervosas Por Julieta Ueta:

Quando Fred H Gage comenta em um site da doença de Huntington (http://hdlighthouse.org/research/brain/updates/0059neurogenesis.php) que por praticamente 100 anos a NEUROCIÊNCIA abraçou o DOGMA de que o cérebro em um adulto permanece estável, sem mudanças, como um computador com memória limitada e poder de processamento definido, pergunto-me o que mudou nestas últimas décadas.

Muita coisa mudou. Descobriu-se que o cérebro pode se modificar, se regenerar, responder a estímulos. A NEUROGÊNESE é real.
A ciência sabe há tempos que células da pele, do fígado, coração, rins e do sangue podem ser substituídas. Podem se regenerar. Não se acreditava que as células nervosas se regenerassem. O que estava com elas, com elas se perdia, à medida que as células morressem. E a memória ia, assim, embora? Acho que não.
Fred H.Gage é do laboratório de Genética que pesquisa doenças neurodegenerativas relacionadas à idade, no Salk Institute. Gage concentra seus esforços no sistema nervoso central e sua inesperada plasticidade e adaptabilidade a estímulos ambientais que se mantém por toda uma vida adulta em mamíferos.

A história da neurogênese em adultos é uma teoria científica que está se modificando. Neuroanatomistas como Ramón e Cajal acreditavam que o sistema nervoso era imutável e incapaz em regeneração. Em 1962 Joseph Altman apresentou a primeira evidência de neurogênese em mamíferos adultos no córtex cerebral. Não lhe deram crédito. Nos anos 80 novas evidências sólidas surgiram, mas ainda existia certo ceticismo. Foi somente na década de 90 que esta área de pesquisa ganhou a devida prioridade. Nesta mesma década foi demonstrado neurogênese em primatas não humanos. Aves, coelhos, ratos, camundongos têm sido empregados pela ciência para provar a existência da regeneração nervosa.
Atualmente com muitos avanços, a ciência aceita que novos neurônios são continuamente sintetizados durante toda a vida adulta, principalmente em 2 regiões do cérebro, uma delas o bulbo olfativo e outra no hipocampo. Células que nascem podem morrer logo, mas parte delas torna-se funcionalmente integrada a um tecido cerebral circundante. Novos experimentos têm mostrado que outras regiões do cérebro são capazes de neurogênese.

A relevância funcional da neurogênese em adultos é incerta, mas há alguma evidência de que a neurogênese adulta no hipocampo é importante para a aprendizagem e memória. Mecanismos múltiplos para a relação entre a neurogênese aumentada e cognição melhorada têm sido sugeridas, incluindo as teorias computacionais para demonstrar que novos neurônios aumentam a capacidade de memória, reduzem a interferência entre memórias, ou acrescentam informações sobre tempo às memórias.

Neurogênese está sendo relacionada a vários fatos e condições além de aprendizado. Estados de estresse, depressão parecem ter relação com o nível de neurogênese. Quanto mais melhor,mas se ausenteou inibida é sinal de condições ruins.

Recentemente, no entanto, neuroimmunologista Michal Schwartz, do Instituto Weizmann de Ciência e seus colegas descobriram proliferação de células progenitoras neurais no corno dorsal da medula espinal do camundongo. Como esta parte da medula espinhal é conhecido por ser predominantemente composto por neurônios sensoriais, ” tivemos uma idéia de que esses novos neurônios, estão participando de sensação de dor e/ou de toque”, disse Schwartz. (http://www.the-scientist.com/news/display/57809/)
Michal Schwartz é uma cientista chefe do laboratório de Imunologia da Mente na Saúde e na Doença, do departamento de Neurobiologia do conceituado Instituto Weizmann de Ciência, em Israel.

Para testar essa ideia, os pesquisadores colocaram os camundongos em gaiolas contendo papel macio, cascalho, ou substrato, esponja ou uma combinação, por duas horas e medindo-se a produção de novas células na medula espinhal. Apenas duas horas após a exposição a ambientes enriquecidos, os animais mostraram um aumento dramático no número de novas células no corno dorsal. A quantidade de neurogênese foi maior em camundongos expostos a ambientes com uma combinação de tipos de substrato, sugerindo que a proliferação celular pode ser uma resposta não só para a novidade de um ambiente, mas para a sua diversidade também.

Em novembro de 2010 saiu publicado os resultados destes experimentos em camundongos na revista Molecular Psychiatry com o título:Touch gives new life: mechanosensation modulates spinal cord adult neurogenesis, (Toque dá nova vida: mecanosensação modula neurogênese em espinha dorsal de adulto) de autoria de R Shechter, K Baruch, M Schwartz and A Rolls.

Enfim, camundongos expostos a estímulos táteis novos produzem neurônios ainda para amadurecer, na espinha dorsal, sugerindo que a neurogênese tem um papel no toque e vice versa
“Este é um resultado muito interessante e inesperado”, disse o neurocientista Pierre-Marie Lledo do Instituto Pasteur, na França, que não está envolvido nesta pesquisa. A neurogênese na medula espinhal foi predominantemente documentada só in vitro, disse ele. “Para ver se realmente há neurogenesis in vivo no corno dorsal da medula espinhal é bastante intrigante e muito interessante”, e sugere um novo mecanismo pelo qual os organismos podem ser capazes de processar ambientes complexos táteis, observou Lledo
O grupo de pesquisa do neurocientista Pierre Marie Lledo do Instituto Pasteur na França está interessado em entender as bases neurais e celulares da percepção sensorial, aprendizado e memória em roedores. Por que estudar memória e aprendizado usando roedores como ratos e camundongos? Como diz o pesquisador, o camundongo aprende rápida e efetivamente em condições tanto espontâneas quanto em condições de estresse, como no ambiente laboratorial. O grupo procura obter repostas para entender de maneira mais completa os mecanismos de plasticidade envolvidos no sistema olfatório de mamíferos.

“Não esperavamos ter esse efeito incrível”, disse Shechter Ravid, um estudante de pós-graduação no laboratório de Schwartz, que ajudou a executar os experimentos. “Foi uma resposta muito rápida ao meio ambiente.” “Foi uma grande surpresa”, concordou neuroimunologista e co-autor Asya Rolls, que trabalhou no laboratório de Schwartz e que atualmente é um pós-doutor na Universidade de Stanford. “A neurogênese é um componente adicional que nunca foi sequer sugerido neste domínio da sensação de toque.

Para testar o papel da neurogênese em habituação a estímulos, a equipe expos os cmundongos a ambientes repetidamente durante um período de 7 dias, ou os manteve permanentemente nas gaiolas enriquecidas. Em contraste com os experimentos de exposição única, exposições repetidas não resultaram em aumento da neurogênese, e a exposição contínua até parece inibir o processo.
Os neurônios imaturos tendem a morrer dentro de quatro semanas, no entanto, Lledo observou, o que leva à morte neuronal não é claro, mas ainda em tenra idade, esses neurônios podem estar ativos. “A mesma categoria de neurônios na mesma idade no bulbo olfativo, são capazes de demonstrar uma semana após o nascimento que de fato liberam GABA.” Assim, embora estes neurônios não cheguem a amadurecer, eles ainda podem ter habilidades funcionais, disse.

De fato, os resultados mostram uma impressionante semelhança com o processo de neurogênese em adultos no bulbo olfativo, disse Lledo, onde a exposição a odores diferentes estimula a proliferação celular, como demonstrado. “Se você olhar para o cérebro de um camundongo vivendo em uma gaiola muito limpa e enjoativa, o número de neurônios é bastante reduzido, mas assim que você altera os odorizantes a cada dia, você estimula os neurônios dois ou três vezes.” Assim, o processo de neurogênese e diferenciação pode ser “um fenômeno mais geral de plasticidade nos órgãos sensoriais”.

Os autores comentam no resumo do artigo que em se apresentando a neurogênese em adultos como um mecanismo potencial de resposta a um estímulo novo e de habituação a repetidas exposições sensoriais, isto abre novos rumos potenciais no tratamento da hipersensibilidade, dor e outros distúrbios mecanosensoriais.

Trabalhos como o de Fred H. Gage do Salk Institute podem levar a métodos que possam ajudar no caso de doenças degenerativas ou traumas. Seu grupo mostrou que o enriquecimento ambiental e o exercício físico pode aumentar o crescimento de novas células nervosas. O conhecimento de mecanismos celulares e moleculares destas observações podem lever ao reparo de cérebro com problemas devido a idade ou trauma.

Um comentário no artigo da revista The Scientisit diz que enfim não se trata de tanta surpresa assim. Entende que nada mais é do que um alinhamento da descoberta científica com o que já é establecido pela Escritura Hindu, o Vedas. Outro comentário fala da grande descoberta científica, mas pergunta: será que isto do toque (mecanosensação) original renovado ser um estimulador de neurogênese é realmente surpresa?

http://connectdominios.com.br/sites/index.php/site/portaldocerebro/173

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PLASTICIDADE CEREBRAL – Drauzio Varella
A prática da medicina exige acuidade de observação. Parece óbvio, mas nem sempre é fácil enxergar o que está a um palmo de nós.

Há poucos dias, encontrei na rua um senhor que atendi há dois anos, por ocasião de um derrame cerebral. Na primeira visita, encontrei-o na cama, agitado, confuso, com a boca torta, incapaz de movimentar o lado direito do corpo e de pronunciar uma só palavra inteligível.

Dias atrás, quando gritou meu nome do outro lado da rua, custou-me crer que fosse a mesma pessoa. A postura física era perfeita; a voz e a fluência verbal, impecáveis; não fosse pela força ligeiramente diminuída ao apertar-me a mão e pela claudicação discreta da perna direita, estaria como antes.

Volto à dificuldade de enxergar a um palmo do nariz. Casos de perda seguida de recuperação das funções cerebrais acontecem desde as cavernas, mas foi apenas no início do século 19 que se levantou a suspeita de que o cérebro seria um órgão moldado pela experiência.

Embora, em 1920, Karl Lashley tivesse sugerido que a distribuição dos neurônios no córtex cerebral (área que controla os movimentos) de macacos se alterava a cada semana, até a década de 1970 o pensamento corrente era que as conexões entre os neurônios (sinapses) formadas na infância permaneceriam imutáveis pelo resto da vida.

Hoje considerado clássico, um experimento realizado nos anos 1980 abalou esse dogma. Trabalhando com macacos, pesquisadores americanos demonstraram que a amputação de um dedo provocava atrofia dos neurônios da área cerebral responsável pelo controle motor do dedo amputado, mas que esse espaço não permanecia desocupado: era invadido pelos neurônios encarregados da motricidade do dedo adjacente, situados a milímetros de distância.

Na década de 1990, ainda em macacos, foi provado que a secção do feixe nervoso responsável pela movimentação do membro superior provocava atrofia dos neurônios da área cerebral correspondente, conforme esperado, e que essa área, então inútil, era ocupada por neurônios oriundos dos centros cerebrais responsáveis pelo controle dos músculos da face, situados não mais a milímetros, mas a centímetros de distância.

Desde então, não houve mais questionamentos sobre a plasticidade do tecido nervoso: no cérebro adulto, nenhum espaço permanece desocupado.

Hoje sabemos que também na espécie humana, a área cerebral encarregada do controle motor de um membro perdido é ocupada por neurônios que migram dos centros controladores da musculatura facial, que os violonistas desenvolvem hipertrofia das áreas cerebrais coordenadoras dos movimentos dos dedos da mão mais solicitada e que, ao tocar com as pontas dos dedos os caracteres de um texto em Braile, o centro da visão dos cegos é ativado.

Ao lado dessa capacidade de um neurônio de projetar suas ramificações para estabelecer novas sinapses às vezes situadas a centímetros de seus domínios originais, a descrição de outro fenômeno revolucionou o conceito de plasticidade cerebral: a capacidade que o sistema nervoso central tem de formar novos neurônios (neurogênese) durante a vida adulta.

Até dez anos atrás, o dogma central da neurociência era que os neurônios perdidos jamais seriam recuperados. O argumento para justificá-lo parecia convincente: se novos neurônios surgissem e alterassem a arquitetura da circuitaria cerebral, como poderíamos conservar memórias e manter nossa identidade?

Esse dogma caiu nos últimos anos, quando experiências conduzidas em pássaros mostraram que, ao aprender uma nova canção, surgem novos neurônios nos centros cerebrais que coordenam o canto e quando foi documentado o nascimento de novos neurônios em duas áreas cerebrais do homem e de outros mamíferos: o bulbo olfatório (responsável pela organização do olfato) e o hipocampo (área de processamento das memórias).

A neurogênese é um processo lento, regulado por moléculas presentes no tecido nervoso conhecidas pelo nome de fatores de crescimento.

A neurogênese tem sido demonstrada em casos de acidente vascular cerebral: os novos neurônios formados no hipocampo migram para a região destruída pela falta de oxigênio para povoá-la. A maior parte deles morre na travessia, mas alguns conseguem estabelecer conexões com neurônios de outras áreas e restabelecer circuitos perdidos.

Em 2002, um estudo feito com antidepressivos mostrou que o efeito benéfico desses medicamentos no tratamento da depressão coincide com o aparecimento de novos neurônios no hipocampo. Curiosamente, os pacientes que recebem essas drogas costumam levar cerca de quatro semanas para notar melhora dos sintomas: exatamente o tempo necessário para os novos neurônios se integrarem funcionalmente aos circuitos cerebrais.

Muito intrigantes são os trabalhos recém-publicados que mostram que ratos transferidos de gaiolas pequenas e de paisagem monótona para outras mais amplas, cheias de brinquedos, rodas estacionárias para fazer exercício e ricas em estímulos visuais, experimentam aumento da neurogênese no hipocampo.

Saber que nossos neurônios são capazes de migrar para áreas cerebrais “vazias” e que continuam nascendo todos os dias sob a influência de fatores de crescimento, medicamentos, atividade física e desafios intelectuais é alentador para os que temem a perda do domínio das faculdades mentais no fim da vida, porque, como disse Machado de Assis, “A velhice ridícula é, porventura, a mais triste e derradeira surpresa da natureza humana”.

http://drauziovarella.com.br/envelhecimento/plasticidade-cerebral/

IMAGEM: http://www.theguardian.com/science/neurophilosophy/2012/feb/23/brain-new-cells-adult-neurogenesis

PRIA
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